![[11SA Backlog Battle Royale.png]] Faz uns 15 anos que eu resolvi começar a anotar tudo o que eu queria ler, jogar ou assistir naquele mítico espaço temporal chamado "algum dia". Hoje, 27 de maio de 2026, essa lista está com 442 games, 223 filmes, 127 séries e 142 livros. Eu desisti de tentar decidir o que consumir e criei basicamente uma rinha pro conteúdo brigar entre si. Eu chamo de: *Música dramática* O [[Backlog Battle Royale]] (ou BBR). Vivemos na era do [[FOMO]] constante. São grandes clássicos "essenciais" da literatura, séries "obrigatórias" para assistir, mil filmes pra ver antes de morrer, "como você não jogou Disco Elysium, está louco?", "Você 'precisa' ler One Piece, fica incrível a partir do volume 600". E eu com sorte arranjo uma meia horinha livre ali no fim do dia, com a criança iperativa me escalando no sofá. E se você ver os dados de lançamento, a enxurrada de conteúdo só aumenta a cada ano. Isso cria o Paradoxo da Escolha, o excesso de opções que paralisa, aquele fenômeno de ficar rolando entre literalmente milhares de opções na plataforma de streaming e ao mesmo tempo se sentir "sem nada pra assistir". O BBR é o que eu chamo de Sistema de Gerenciamento de Vontade, ele deixa claro e cristalino o que eu realmente quero fazer com os meus preciosos minutos de tempo livre. Cada mídia tem uma pontuação ELO, sistema que eu peguei emprestado do xadrez profissional. Uma tela de batalha seleciona dois títulos aleatórios para o ringue. Eu escolho qual eu prefiro consumir. O vencedor aumenta o ELO, o perdedor diminui. O ranking se ajusta baseado no desafio. Um vencedor com ELO maior que o oponente ganha menos que uma situação "Davi vencendo Golias" do menor ELO saindo na frente. Repete isso algumas vezes e uma coisa interessante acontece: a lista escolhe por mim. O que está no topo é, por definição, o que eu mais quero consumir em todas as batalhas que fez até hoje. O BBR transforma preferência pessoal em dados, um algoritmo pessoal de sugestões. O sistema vive num cofre do Obsidian, cada mídia é uma nota com capa, metadados, status e pontuação, o script foi feito com TypeScript. Sincroniza entre PC, tablet e mobile (inclusive uso bem mais no celular). Tem automação pra buscar capas e extrair informações de bases como Steam, Open Library e IMDB. Todo o fluxo de catalogação roda via IA, eu posso só mandar para a IA um link de uma resenha de um filme, falar "inclua no BBR", ela busca capa, metadados, duração, franquia, descrição. O BBR é algo que só foi possível pela IA. Eu entendo as ressalvas na criação de um produto com IA programando (principalmente no que diz respeito à segurança), mas pra um projeto pessoal, a IA pode ser um motor para a criatividade. Você pode argumentar que eu poderia ter usado o tempo de criação do BBR consumindo o conteúdo. Mas eu sei que com sorte vou ver 10% dessa lista na minha vida. Mas criar o BBR foi divertido, usar ele é divertido. Pensar sobre o que eu quero fazer virou o que eu mais queria fazer.